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Lineu Bravo e a escola do violão brasileiro

O luthier Lineu Bravo fala sobre a evolução da escola do violão desenvolvida no Brasil.

Há no mundo três grandes escolas de violão:

– Violão Clássico

– Violão Flamenco

– Violão Brasileiro

Isto porque, embora o instrumento seja muito popular em praticamente todo o globo, nestas três escolas o violão é levado ao seu limite, deixando de ser um mero acompanhador para desempenhar um papel central.

Violão Brasileiro

O violão brasileiro se desenvolveu naturalmente da fusão de diferentes influências, por isso não tem uma sonoridade específica.

Na história do violão popular no Brasil houve um desenvolvimento com legados e influências muito rápidas de uma geração para outra em diferentes regiões, sempre exigindo dos violonistas um alto desempenho.

Talvez o violão brasileiro seja a escola que melhor aceita influências externas, isto provavelmente por estarmos em um país rico em miscigenação cultural. Muitos violonistas populares importantes tiveram e têm alguma base do violão erudito e do flamenco. Estas técnicas são sempre bem-vindas e assimiladas, algumas vezes até com uma certa irreverência, bem ao “jeitinho brasileiro”. O resultado é sempre um algo a mais na nossa música.

7 cordas

No decorrer do século 20 uma figura importante apareceu neste cenário: o violão de sete cordas. Este não é superior ou inferior ao tradicional de seis cordas, mas permite possibilidades específicas.

Eu acredito que o surgimento do sete cordas alavancou ainda mais o desenvolvimento de técnicas também para os violonistas de seis cordas, que se vêm desafiados e impelidos a serem ainda mais criativos.

O que estamos observando nas últimas décadas é uma contrapartida histórica muito grande: nós que sempre bebemos das culturas estrangeiras estamos despertando muito interesse em todo o mundo.

A música brasileira – com certo destaque para o violão brasileiro – está mais e mais sendo consumida e assimilada por músicos dos três continentes.

Por Lineu Bravo

Confira vídeos das três grandes escolas de violão do mundo:

– Violão Brasileiro – Baden Powell

– Violão Flamenco – Paco de Lucía

– Violão Clássico – Andres Segovia

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Sérgio Abreu e Jeffrey Elliott inspiram Lineu Bravo

Curioso para saber quem foram algumas das inspirações do luthier Lineu Bravo no início de sua carreira? Aqui, Lineu revela dois dos profissionais que mais admira no mundo do violão artesanal brasileiro e americano.

Intuição de luthier

“Meu violão teve como ponto de partida a tentativa de imitar o luthier americano Jeffrey Elliott. Eu tinha uns dois ou três anos de atividade. Depois que acabei derivando para minha sonoridade própria.

Luthier Jeffrey Elliott (foto de Steve McElrath)

Luthier Jeffrey Elliott (foto de Steve McElrath)

Jeffrey me ajudou muito simplesmente trocando e-mails no começo da minha carreira. O americano abriu os meus olhos.

Até aquele momento, eu tinha visto várias plantas de estrutura de instrumentos as quais eu não havia entendido. Eu olhava para aquilo e não fazia sentido para mim. Quando ele me mostrou aquela estrutura, passou a fazer sentido na minha cabeça. Como eu não estudei acústica, a minha ferramenta é a intuição.”  

Ensinamento raro

“Jeffrey Elliott tem uma linha de trabalho maravilhosa, riquíssima. Ele foi super acessível, um doce, generosidade pura. Lá, ele tem uma fila de espera de 12 anos. Eu sinto ainda por não conhecê-lo pessoalmente. Eu tenho vontade de fazer uma visita para sentar e conversar, bater um papo.”

Excelência pura

“Um outro luthier que admiro muitíssimo é o carioca Sérgio Abreu, um dos maiores concertistas da história do violão clássico.

Sérgio Abreu em "Violões do Brasil", DVD produzido pelo SESC

Sérgio Abreu em “Violões do Brasil”, DVD produzido pelo SESC

O luthier busca construir (e constrói) um violão de concerto da escola europeia. Essa sonoridade buscada por ele atinge a excelência, sem dúvida. É um instrumento com uma qualidade fantástica, embora seja um violão com características diferentes das que eu busco. Eu tenho um som em minha alma formatada em roda de choro.”

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- Site de Jeffrey Elliott

- Sérgio Abreu em matéria do Estadão