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O primeiro violão a gente nunca esquece

O luthier Lineu Bravo conta em entrevista como surgiu a ideia da produção do seu primeiro violão e relembra a importância do violonista Marco Antonio Bailão. Confira!

Quando foi a primeira vez que você construiu um violão?

Lineu Bravo Luthier: Eu fiz em 1997 um violão, mas eu não tinha intenção de ser profissional luthier ainda. Eu considero como “um violão sem noção”. Esse violão está comigo, embora eu mesmo não o reconheça como meu primeiro violão profissional.

Em 2001, eu já tinha intenção de trabalhar com luthieria. Fiz alguns cavaquinhos e bandolins. Nesse ano, produzi o instrumento que eu considero como o meu primeiro violão.

Como veio a ideia de fazer um violão?

Lineu Bravo Luthier: O violonista Marco Antonio Bailão, músico e amigo de São Paulo que frequentava as rodas de choro lá de Sorocaba, nas quais eu frequentava também, tinha um violão Sugiyama. Era um violão com um nível muito bacana, que eu nunca tinha visto daquela qualidade na época.

Marco Bailão

Marco Bailão destaca-se na trajetória profissional de Lineu Bravo Luthier

Marco viu que eu estava começando a fazer alguns instrumentos e falou: “Por que você não faz um violão? Pega esse violão, dá uma olhada nele e vê se você consegue fazer alguma coisa parecida.”

Então, foi a partir daquele momento. Ele deixou uma semana comigo, dei uma olhada, tentei entender a estrutura do violão, o porquê o violão tinha uma sonoridade tão bonita. E assim fiz o primeiro violão “com noção.”

Quando terminei o violão, a primeira pessoa para quem eu mostrei foi Marco Bailão. E ele adorou o instrumento. Gostou tanto que acabou comprando o violão e ficou com ele até 2007.

Esse seu primeiro violão profissional atualmente está com você?

Lineu Bravo Luthier: Está comigo, sim. Em 2007, eu falei para o Marco que queria pegar aquele primeiro violão, porque tem um significado importante para mim. Ele, na época, estava precisando de um violão de sete cordas. Então, fiz um novo de sete cordas para ele, ao invés de fazer um violão de seis, igual ao anterior.

Ele está feliz da vida com um violão novo. Obviamente, é um violão superior ao primeiro, e eu peguei o meu primeiro violão de volta. Aqui está ele:

Primeiro violão de Lineu Bravo Luthier

Entrevista cedida à Mayara Fujikake

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Sérgio Abreu e Jeffrey Elliott inspiram Lineu Bravo

Curioso para saber quem foram algumas das inspirações do luthier Lineu Bravo no início de sua carreira? Aqui, Lineu revela dois dos profissionais que mais admira no mundo do violão artesanal brasileiro e americano.

Intuição de luthier

“Meu violão teve como ponto de partida a tentativa de imitar o luthier americano Jeffrey Elliott. Eu tinha uns dois ou três anos de atividade. Depois que acabei derivando para minha sonoridade própria.

Luthier Jeffrey Elliott (foto de Steve McElrath)

Luthier Jeffrey Elliott (foto de Steve McElrath)

Jeffrey me ajudou muito simplesmente trocando e-mails no começo da minha carreira. O americano abriu os meus olhos.

Até aquele momento, eu tinha visto várias plantas de estrutura de instrumentos as quais eu não havia entendido. Eu olhava para aquilo e não fazia sentido para mim. Quando ele me mostrou aquela estrutura, passou a fazer sentido na minha cabeça. Como eu não estudei acústica, a minha ferramenta é a intuição.”  

Ensinamento raro

“Jeffrey Elliott tem uma linha de trabalho maravilhosa, riquíssima. Ele foi super acessível, um doce, generosidade pura. Lá, ele tem uma fila de espera de 12 anos. Eu sinto ainda por não conhecê-lo pessoalmente. Eu tenho vontade de fazer uma visita para sentar e conversar, bater um papo.”

Excelência pura

“Um outro luthier que admiro muitíssimo é o carioca Sérgio Abreu, um dos maiores concertistas da história do violão clássico.

Sérgio Abreu em "Violões do Brasil", DVD produzido pelo SESC

Sérgio Abreu em “Violões do Brasil”, DVD produzido pelo SESC

O luthier busca construir (e constrói) um violão de concerto da escola europeia. Essa sonoridade buscada por ele atinge a excelência, sem dúvida. É um instrumento com uma qualidade fantástica, embora seja um violão com características diferentes das que eu busco. Eu tenho um som em minha alma formatada em roda de choro.”

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- Site de Jeffrey Elliott

- Sérgio Abreu em matéria do Estadão