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Marcus Tardelli, natural de Petrópolis, Rio de Janeiro, é solista de violão e autodidata, sendo que suas influências são muito mais musicais do que violonísticas.

O músico reinventou o instrumento o violão, criando uma nova forma de tocá-lo. Lineu Bravo explica esse dom de seu talentoso cliente: “O violão na mão dele vira outro instrumento.”.

O compositor, violonista e também cliente de Lineu Bravo, Guinga, refere-se a Marcus como maior violonista que o Brasil já produziu: “Ele é um revolucionário na técnica violonística, um gênio, inventou uma nova técnica no violão que só ele executa. Em um dos movimentos dessa técnica, ele usa o polegar da mão esquerda com uma liberdade que o polegar nunca teve no violão.”.

A técnica inovadora de Marcus Tardelli

Antes de começar a tocar violão, com 7 anos de idade, Marcus Tardelli já tinha uma profunda relação com a música. “Ouvia muitos discos desde muito cedo, já tinha muitos sons em minha mente e o violão surgiu mais como uma ferramenta para expressar as ideias. Como sempre gostei mais de música do que de violão, e devido à minha facilidade com o instrumento, eu naturalmente desenvolvi técnicas para expressar os sons que eu imaginava, como o uso ativo do polegar esquerdo na frente do braço do violão, e outras disposições inéditas como o uso de outras angulações dos dedos em diferentes pestanas, notas pressionadas com a unha ou parte da mão.”, explica o violinista, cliente do luthier Lineu Bravo.

Para Tardelli, o violão era a ponte e o objetivo sempre foi a música, portanto sua técnica surgiu como uma necessidade de atingir a música que ele imaginava, já que a tradicional poderia não dar conta.

Em depoimento ao Violão Ibérico, Marcus Tardelli conta como desenvolveu sua técnica:

O disco “Unha e Carne” e o violão Lineu Bravo

O disco de violão solo “Unha e Carne” foi gravado com composições de Guinga, e Tardelli fez todos os arranjos com sua forma particular de tocar e pensar o instrumento. Ele gravou esse disco utilizando o violão preferido de Guinga, construído pelo luthier Lineu Bravo.

Tardelli contou um pouco sobre essa história: “Pouco antes de começar a gravação do meu disco “Unha e Carne” (CD dos meus arranjos pra violão solo de composições do Guinga), eu estava testando alguns violões no estúdio que combinassem mais com aquele repertório. Na época, além dos violões que eu tinha, levei um violão do Lineu que o Guinga tinha acabado de receber. Ele estava encantado com o instrumento, dizendo que era um dos melhores que ele já tinha tocado. Então, ele sugeriu que eu fizesse o teste no estúdio com esse instrumento para a gravação.
Durante os testes, o violão encaixou tão bem com o repertório que acabou sendo usado na maioria das faixas.”.
Surpresas na reta final da gravação: “Já quase no final do disco, no dia seguinte a uma emocionante sessão de gravações, o Guinga, que acompanhou todo o processo do CD, chegou pela manhã no estúdio emocionado com dois presentes:
Uma música feita em minha homenagem que acabou sendo gravada logo a seguir e que levou o nome do disco “Unha e Carne”, expressão que além de resumir o toque da mão direita do violão (com a unha e a carne do dedo), serviu pra celebrar a relação de afinidade entre dois artistas.
O segundo presente foi o violão do Lineu que eu estava usando nas gravações.
Ele disse: “Depois de ouvir você tocar nesse instrumento, vi que este não me pertence mais”.

Depoimento de Marcus Tardelli sobre seu violão Lineu Bravo

“Poucas vezes, vi tantas qualidades em um só violão: perfeito equilíbrio entre timbres, potente volume, um confortável braço e um lindo acabamento. É um instrumento que, sem dúvida, não deve nada aos grandes violões de renome internacional.”

Sobre Lineu Bravo

Lineu Bravo é luthier autodidata, apreciador de boa música. Desde cedo desenvolveu intimidade com a madeira na marcenaria do pai. Construiu o primeiro instrumento aos 14. Desde então, seus violões, cavacos, bandolins e violas têm ido parar nas mãos de grandes músicos. Guinga, Zélia Duncan, Marcus Tardelli, Marco Pereira, João Bosco, Yamandú Costa, Chico Buarque, Ulisses Rocha, Hamilton de Holanda, Ângela Muner, Rogério Caetano, Mauricio Carrilho, Luciana Rabello, João Lyra, Mauricio Marques, Edson Lopes, Alessandro Penezzi, Juarez Moreira, Fernando César, Jayme Vignoli, Flávio Apro, Giacomo Bartoloni, Swami Jr, Rosa Passos, Ana Carolina, Zé Paulo Becker, Douglas Lora e todos os integrantes do Quarteto Maogani são alguns deles.

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