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Lineu Bravo, de Taubaté. Crédito: Fernando Mori Miyazawa

Reportagem sobre o trabalho de Lineu Bravo Luthier, no jornal O Vale, de 28 de maio:

Foram diversos trabalhos ao longo da vida: professor de inglês, dono de agência de propaganda, empregado de empresa de importação e exportação, entre outros.

Mas o que falou mais alto foi o hobby que sempre tivera e começou na infância: o menino que tinha uma marcenaria no quintal de casa — o pai era o dono — e fazia brinquedos de madeira, mais tarde começou a construir instrumentos por diversão e sem compromisso, até virar luthier profissional.

O morador de Taubaté Lineu Bravo, hoje com 48 anos, é conhecido nacionalmente por construir violões, embora também faça cavaquinhos, bandolins e viola caipira.

Um de seus mais novos clientes é João Bosco. O violonista, cantor e compositor passou pela cidade no mês passado, conheceu o violão de Lineu, apaixonou-se e já fez sua encomenda. Também apreciam seus instrumentos a cantora Ana Carolina e um dos maiores violonistas brasileiros, Yamandu Costa.

“O mais importante para mim é que o mesmo cuidado, a mesma dedicação, a mesma qualidade de madeira que uso para fazer para um famoso eu uso para fazer para um músico desconhecido. É meu nome e meu ideal de instrumento que coloco no trabalho”, afirma.

Autodidata. Todo nível de qualidade do luthier, que chama atenção também de grandes nomes da música, veio somente do dom e da dedicação de Lineu. Ele nunca fez um curso ou leu algum livro sobre construção de instrumentos.

Fez seu primeiro cavaquinho aos 14 anos — que tocava desde os 10, já que sua “praia” é o chorinho — e, desde então, fazia instrumentos só por hobby. Somente há 12 anos, diante de um período em que esteve desempregado, se deu conta que essa diversão poderia ser também a sua profissão. E deu muito certo.

Apropriou-se, comprando equipamentos mais adequados e firmando sua oficina em espaços melhores. Procurando sempre o que tem de errado e pode ser melhor em sua “obra de arte”, Lineu conta que procura aprimorar o trabalho o tempo todo. Ele tem uma fila de espera hoje que dura de10 a14 meses, o que faz com que o cliente sempre pegue um violão melhor do que o que ele havia testado.

Achado no mapa. Lineu é sorocabano. Casou-se e viveu em cidades de Minas Gerais.

Depois que separou-se da mulher, há cinco anos, resolveu mudar da cidade. Queria morar na beira da Dutra, em São Paulo, mas fugir da cidade grande. Encontrou então em Taubaté o que buscava. “Foi amor à primeira vista. É uma cidade que permite qualidade de vida no dia a dia”, diz.

Por Flávia Marreira

- Matéria “Música: Pura arte e intuição” no site do O Vale

One thought on “Jornal O Vale: "Música: Pura arte e intuição"

  1. os violões do lineu são de uma sonoridade maravilhosa .! eu tambem falo como musico e luthier.ja toquei em alguns dos seus instrumentos , e não vi nenhuma falha . e a afinação é muito boa! parabens lineu e continue a todo vapor! saudações setecordianas luthieristicas!! ah um dia eu comprarei um dos seus setões!!

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