Português
posted by

Confira a segunda parte da matéria com o luthier Lineu Bravo, que conta sobre a relação com as novas tecnologias, o reconhecimento da escola do violão brasileiro no mundo, a impressão sobre a nova geração de luthiers e dicas para a nova geração.

1 – Qual é a relação do Lineu Bravo com as novas tecnologias?

Lineu Bravo: A tecnologia é uma coisa muito louca. Eu tenho uma atividade do século 15, 16 – sou um artesão – e uso uma tecnologia moderna, que é a internet para me comunicar. Muita gente fala comigo por e-mail, ou Facebook.

A página no Facebook do luthier Lineu Bravo atingiu a 1.000 fãs em apenas dois meses

Equipamentos técnicos de trabalho que uso são em parte do século 20, como a furadeira elétrica, coisinha básica. Não tenho grandes máquinas. Tenho pequenas máquinas e ferramentas manuais.

2 – Como anda o reconhecimento da escola do violão brasileiro no mundo?

Lineu Bravo: A música popular brasileira é riquíssima e o violão sempre esteve muito presente, talvez seja o instrumento mais presente em todos os gêneros musicais populares do Brasil.

Os clientes estrangeiros pegam o meu violão e acham extremamente fácil de tocar e versátil. Funciona para tocar qualquer gênero musical e ainda é um violão que tem um sotaque brasileiro, uma sonoridade brasileira. Quando me falam que meu violão tem som brasileiro, isso para mim é o maior elogio.

3 - Qual é a sua impressão sobre a nova geração de luthiers?

Lineu Bravo: Eu, de certa forma, sou uma pessoa nova, tenho 11 anos de mercado. Eu tenho visto muitos jovens aparecendo, com muita informação, com muita vontade e prometendo uma qualidade muito interessante.

Daqui a pouco, a gente vai ter um batalhão no Brasil de peso, com instrumentos com muita qualidade. Claro, alguns pequenos tropeções todo mundo dá no começo, mas o acerto vem do erro. Eu acredito que só se aprende a fazer fazendo.

4 – O que você indica para essa nova geração?

Lineu Bravo: Você, primeiro, precisa ter um trabalho para apresentar, você precisa fazer violões e mostrar para os músicos. Não se pode querer cobrar o preço que os luthiers consagrados cobram.

Quando se está aprendendo a fazer violão, o indicado é levar para os melhores músicos que você conhece para avaliarem o seu instrumento. É uma coisa que eu faço até hoje, desde o primeiro violão, eu levei para os melhores músicos para eles avaliarem o que têm de bom e o que precisa melhorar.

Após levar para os músicos analisarem o som, é preciso ver um preço plausível para que você consiga, pelo menos, comprar material e fazer mais instrumentos já ouvindo as dicas que os músicos te deram, tentar melhorar a qualidade, e assim vai, até que você vai começar a ser conhecido e as pessoas vão começar a indicar o seu trabalho.

Entrevista cedida à repórter Mayara Fujikake.

- Veja a primeira parte da entrevista

- Mais novidades no Facebook de Lineu Bravo

One thought on “Bate-papo com o luthier Lineu Bravo – Parte 2

  1. acho muito importante cultivar esses valores e trabalhos manuais,que tendem a se perder no tempo, substituidos por maquinas….quando criamos algo com nossas proprias maos, damos mais valor sentimental ….

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>