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Biografia

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Sou de família de imigrantes espanhóis que, nas idas à marcenaria, encontraram sua forma de sobreviver na acolhedora terra: Sorocaba – SP.

Foi esse o começo.

Desde cedo, desenvolvi intimidade com a madeira e estava sempre a burilar nas sobras da oficina de meu pai.

Lá pelos dez anos de idade comecei a tocar cavaquinho e assim aquela relação meramente utilitária com a madeira que até então tinha desenvolvido, transformou-se em algo novo, que ao mesmo tempo me causava assombro e desejo.

Assim fui juntando música e madeira… Aos 14, construí meu primeiro instrumento, um cavaquinho de madeira compensada, o que estava disponível para a minha brincadeira de garoto.

A “obra” me trouxe enorme gratificação, mas o som era péssimo e eu já sabia disso. Logo percebi que um bom instrumento é muito mais que um objeto de madeira. Havia ali mistérios que meu espírito de menino já começava a perscrutar.

Pelos 20 anos seguintes, algo negligente, levei a coisa como um “hobby”. Construí diversos instrumentos, principalmente bandolins e cavaquinhos. Num desses dias aparentemente comuns, vejo-me diante de um verdadeiro violão de concerto. Aquilo aguçou-me a sensibilidade e, curioso, passei a investigá-lo com minúcia. Resolvi que podia. E fiz.

Gostei do meu primeiro violão. Acho que não fui o único, pois em menos de uma semana o vendi ao dono daquele que me havia inspirado. Com o incentivo, importantíssimo, decidi. Tornei-me luthier profissional.

Desde então, meus instrumentos têm ido parar nas mãos de grandes músicos. Extraio desse contato as mais variadas opiniões, buscando com isso o aprimoramento do meu trabalho.

Sou antes de tudo um prático e autodidata. E meu autodidatismo advém mais da experiência empírica do que de leitura e cálculos. Acho importante ressaltar que estou falando de minha particular forma de trabalhar, pois, sabemos, há grandes luthiers que lançam mão de profundos conhecimentos científicos em seu trabalho, obtendo excelentes resultados.

Ouvir boa música e conversar com músicos sobre as suas percepções acerca de um instrumento, para mim é muito mais enriquecedor do que ler um livro sobre acústica. Enfim, entre meu ouvido e um paquímetro, fico com o primeiro. Ou ainda, entre ser um técnico e um artista, fico com a segunda alternativa.