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Confira a matéria especial da ar.v Cultural, de Guilherme Tauil, que conta os detalhes da descoberta de Lineu Bravo pela nova profissão, somente em 2001. Entenda a razão da importância de uma roda de choro e um violão emprestado:

Lineu Bravo, o luthier que faz violão de ouvido

Chico Buarque, Guinga, Ana Carolina, Yamandu Costa e Hamilton de Holanda têm mais em comum do que o fato de serem músicos: todos eles possuem um violão de Lineu Bravo, luthier de Sorocaba que vive há mais de quatro anos em Taubaté.

Filho de marceneiro, Lineu Bravo desde criança brincava com as sobras do trabalho do pai. Fazia raquete de ping-pong, caixinhas, tabuleiro de damas. Ainda na infância, Lineu conheceu a outra metade de sua profissão: a música. Seu pai tocava cavaquinho, o que acabou influenciando o filho. Sem dinheiro para comprar um bom instrumento, Lineu mexia nos próprios, fazia modificações, trocava peças. Seu primeiro instrumento foi feito aos catorze anos, mas a luteria era, apenas um hobbie.

Somente aos trinta e seis anos de idade é que Lineu decidiu viver exclusivamente da construção de instrumentos de corda. Em 2001, numa roda de choro, um amigo lhe emprestou um violão, sem imaginar que proporção aquilo iria tomar. Fascinado pelo instrumento, Lineu começou a estudá-lo e acabou fazendo, mais tarde, seu primeiro violão. Tinha início uma carreira que ainda parece estar longe do fim.

O deslanche da carreira do luthier começou um pouco por acaso. Através de Zé Barbeiro, com quem chegou a montar um trio de choro, Lineu conheceu Alessandro Penezzi, que encomendou um violão. Tempo depois, Belo Horizonte foi palco do evento Violões do Brasil, que reuniu a nata da música instrumental em uma apresentação. Antes do show, por acaso, Lineu foi visitar Penezzi e Zé Barbeiro no hotel em que estavam hospedados. De brinde, acabou conhecendo o catálogo inteiro do violão brasileiro: Guinga, Maurício Carrilho, Lula Galvão, Toninho Horta, João Lyra, Paulo Bellinati e outros músicos, também ali hospedados. Aprovado por unanimidade, Lineu saiu de lá com uma porção de encomendas.

Daí a informação correu e, de violão em violão, formou-se a clientela de Lineu Bravo. Como aconteceu com o jovem violonista Marcus Tardelli, por exemplo. Tardelli estava para começar as gravações de seu disco, o “Unha & Carne”, quando Guinga lhe mostrou um violão de Lineu. Resultado: onze das catorze faixas foram gravadas com ele. As outras três ficaram a cargo de um violão espanhol, com o qual Tardelli vinha se familiarizando há mais de vinte dias especialmente para a gravação do disco.

Lineu trabalha sozinho, em silêncio, sem música de fundo. Faz, em média, trinta instrumentos por ano. Leva uns sessenta dias para terminar um violão, mas despacha dois por mês. Isso porque trabalha em mais de um ao mesmo tempo, em estágios diferentes de construção. Não faz nada em série, não tem estoque – é tudo sob encomenda. Pode ser visto andando pelas ruas da cidade ou tomando um café nos intervalos de seu trabalho. Mas se você quiser ouvi-lo basta procurar um disco do Guinga ou um clipe do Chico Buarque – porque quem realmente entende, garante que o produto é bom.

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